Nossa primeira viagem juntas!

Tudo começou quando resolvi, por incentivo da amiga Fernanda Martins, autora do Surdo para Surdo, a participar do desafio promovido pela Social Good Brasil LAB 2017. Relutei para participar devido às condições financeiras que eu e meu marido encontrávamos naquele momento, mas o desejo de tornar a realidade do meu projeto com o Mamãe Surda falou mais alto… Então lá fui eu, com a ajuda do meu marido e da minha filha que é a propulsora da existência da Mamãe Surda, a realizar o desafio que era postar um vídeo de curta duração – está disponível no link https://www.youtube.com/watch?v=A38UAXu0nOI E para minha surpresa, fui uma das 50 selecionadas para participar no SGB LAB 2017!!! http://socialgoodbrasil.org.br/lab/conheca-os-selecionados-para-o-sgb-lab-2017/ Então a partir daí agilizei tudo para que eu possa ir lá participar na cidade Pedra Branca onde ocorreu o evento!

Surgiram dúvidas, inseguranças… O que fazer com a minha filha de apenas 1 ano e 5 meses? A ideia de ordenhar o leite materno e deixar com o pai dela era uma possibilidade, mas não conseguia nem sequer aceitar a ideia de deixar ela longe por aqueles dias. Decidi então levá-la junto comigo mesmo sabendo que se tratava de uma imersão por 4 dias! Os preparativos iniciaram com a arrumação da mala e já enfrentei o primeiro obstáculo: como organizar as fraldas de pano haja vista que não terei tempo para lavá-las e no hotel não há serviço de lavanderia? Organizei então para que tenha as fraldas de pano o suficiente para a viagem. Calculei uma média de 3 capas de fraldas e um tanto de absorventes cremer e melton para aguentar os xixis diários. Não me preocupei com a questão de cocô, pois dificilmente minha filha evacua na fralda por já praticarmos a Higiene Natural.

De malas prontas, lá fomos nós: eu e minha filha a sós. Bateu um frio na barriga por não estarmos em companhia do marido e pai Roberto Leandro, mas seguimos firmes e juntas. No dia 31 de maio partimos do Rio de Janeiro para Florianópolis e nessa viagem pude atentar à observação e curiosidade da minha filha para tudo o que acontecia ao nosso redor. Nessa ida foi até tranquila a nossa viagem por contarmos com o apoio de funcionário da companhia aérea no aeroporto. Chegando lá pegamos um Uber e partimos para casa de uma amiga surda que reside em São José.

No dia seguinte um amigo surdo que também participava do evento nos buscou para levarmos nós até ao Atrium Offices, na cidade Pedra Branca. Aí sim é que bateu a minha típica preocupação como mãe. Será que minha filha se comportará bem? Será que vou dar conta de tudo sozinha? Será que vou conseguir aproveitar bem as atividades? Bem, agora não adiantava mais ficar com esses questionamentos, pois já estava sendo feito. Agora é hora de encarar e seguir em frente!

Chegada no evento Social Good Brasil LAB, no Atrium Offices – Pedra Branca/SC.

A recepção foi bastante acolhedora! Isso porque já havia dito previamente que estaria ali participando junto com a minha filha que foi prontamente aceito pela equipe SGB LAB! A equipe de intérprete de Libras – Equipe de Acessibilidade em Língua de Sinais, EALIS Comunicação – já estava lá nos aguardando! As minhas preocupações anteriores foram se ‘esvaziando’ aos poucos… Obviamente não chegou a ser 100%, pois quem é mãe é mãe! Sempre em estado de alerta! Eram 50 participantes – labbers (+ a mini-labber, rsrsrs por que não?!?) – mais as 2 intérpretes de Libras mais a equipe da SGB LAB e o palestrante ilustre Edgard Stuber, do Stuber Capacitação em Inovação, todos juntos no evento, interagindo.

 

Eu e Catharina interagindo junto com o grupo na atividade dinâmica.

Durante os 4 dias de imersão – dias 01 a 04 de junho de 2017 – minha filha aos poucos foi se soltando e aceitando estar com as pessoas lá presentes. Ela ganhou muitas ‘tias’ e ‘tios’ que também adoravam poder interagir com a Catharina. E eu pude aproveitar bastante nos conteúdos, nas interações em grupos nas atividades dinâmicas, inclusive fomos a uma ONG fazer uma visita em campo, botar em prática as ferramentas do Design Thinking. Houve momentos em que a Catharina participava junto com as nossas atividades e outros que ficava na dela, brincando com as ‘tias’ da SGB LAB. Foram dias bem intensos com muito aprendizado positivo!

Eu e Catharina juntas durante o evento do SGB LAB.

Logicamente que houve momentos em que precisei me ausentar para atender às necessidades da minha filha tais como trocas das fraldas, amamentar, oferecer água e lanchinho. Nos intervalos para o almoço, lanches e jantar meu todo tempo disponível era voltado para a minha filha uma vez que durante o evento minha atenção era mais voltada para a participação do evento! Esses foram os momentos bem críticos durante esses dias, pois precisava ser mãe focada e não apenas uma participante! E tem mais: na minha condição como sujeito surdo me era bem mais exigido, pois tinha que ‘enquadrar’ dentro de meu campo visual a atenção para as atividades sem deixar de lado a minha responsabilidade como mãe, que era estar atenta pelo fato de estar presente a minha filha no evento! Então imaginam o quão desafiador foi para mim nesses dias não é???

Catharina passeando pela cidade Pedra Branca/SC, retornando do almoço.

Chegou o momento para retornarmos para casa… Estendemos nossa estadia por mais um dia e então aproveitamos para conhecer a cidade Palhoça, onde ficamos hospedadas em um hotel. Foi aí que notei que como a minha filha era, de fato, minha grande companheira da viagem! Por onde quer que estejamos ou fôssemos, lá estava ela junto interagindo e atenta a tudo o que acontecia. Ía contando para ela, no decorrer do dia, onde iríamos e o que faríamos e ela topava tudo de forma muito tranquila e curiosa! Com certeza essa nossa primeira viagem proporcionou a ela muitos aprendizados enriquecedores!!! Que venham muitas outras viagens!!!

Eu e Catharina passeando na cidade de Palhoça/SC.
Eu e Catharina no avião de volta para casa.

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